sábado, 5 de outubro de 2019

Porquê o Autismo é romantizado(?)

Baseado nos textos da pagina Jornalismonic e A Critica.

   







               

Ultimamente o que ando lendo e observando nas redes sociais são varias historias de sensibilidade e empatia quanto a uma pessoa, jovem ou criança com o Espectro Autista. São historias que enchem e aquecem nosso coração de esperança e alegria. São esses casos, historias, que nos fazem acreditar que é possível passar por esses momentos e aceitar que fomos escolhidos para cuidar de nossos anjos azuis. Porém, ultimamente venho percebendo certas mães se sentindo incomodadas com as declarações do apresentador da Rede Record, Marcos Mion sobre o seu filho Romeo, diagnosticado com Transtorno do Espectro do Autismo, mais conhecido com TEA. Muitas afirmaram que ele tentou romantizar algo que não era real. Mas, o que é real quando falamos de Autismo?


Segundo o Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM-5), em suma, o autismo é uma série de condições caracterizadas por inabilidades sociais, comportamentos repetitivos e dificuldades em relação à fala e comunicação não-verbal. Ao contrário do que muitos pensam, não há somente um autismo, mas diversos, causados por combinações distintas de influências genéticas e ambientais.



Outro fator que incomoda os familiares das crianças e jovens autistas é o fato da falta de recursos médicos e dificuldade em fazer um diagnostico rápido e preciso. Há casos de famílias que só tiveram um diagnostico e confirmação muitos anos depois. E o fato do Mion ter condições de ter uma ajuda multidisciplinar com médicos, especialistas e afins, chegar a um diagnostico rápido e preciso, buscar a melhor forma de tratamento e dar um qualidade de vida, acaba se contradizendo com a realidade de muitas mães com seus anjos.






                

Pra quem conhece ou sabe eu cuido da pagina O Diário de JP: Meu Jovem Autista, pagina essa que tem um intuito de mostrar o dia a dia do meu irmão caçula João Pedro, que foi diagnosticado com o Espectro Autista e hiperatividade entre seus 2 anos e meio e 3 anos. Nunca me esqueço do dia que minha mãe e meu padrasto, depois da consulta medica, reuniu a família na mesa e leu o diagnostico. Minha mãe chorava, meu padrasto serio lendo o diagnostico, meu irmão Cássio calado e eu, eu não entendia a situação, não entendia o que estava acontecendo. O que estava acontecendo com meu custoso? Pra falar a verdade eu não sabia de nada, todo o pouco que sei pesquisei na internet e comecei a acompanhar outras paginas de jovem autistas.


No começo nada foi fácil. As crises do JP, as incertezas, as medicações, as brigas, os medos... Vi o João Pedro mudar da água para o vinho em dias. Vi ele sendo agressivo com todos e com ele mesmo, vi ele regredindo de saber falar aos 2 anos para apenas soltar gritos ou grunhidos. Vi meu irmão voltando a usar fraldas, voltar a ser um bebê. Vi nossa família entrar em crise. Não foi fácil.










Anos passaram, crises, dificuldades, cansaços... tudo isso passou. E hoje temos um JP que está desenvolvendo melhor sua fala, sua coordenação motora, que não precisa mais de fraldas, que consegue conviver melhor com as pessoas em volta, que gosta de sorrir, brincar, assistir videos no YouTube ou Netflix. Sabe se alimentar sozinho, sabe pedir as coisas, sabe ir ao banheiro e sabe ate cantar e falar umas palavrinhas em inglês. Pra ele é tudo novidade, como toda criança de 9 anos quando descobre novas possibilidades. Pra nós, são todas conquistas. Claro que as crises ainda acontecem, que ele ainda precisa de medicamentos para sua hiperatividade, mas cada descoberta dele é uma conquista nossa.


Mas ver outras famílias passando por isso e mostrando como conviver com o autismo, como passou por cada fase, nos fez perceber o quanto também deveríamos continuar e persistir com nosso pequeno. Volto a repetir: NÃO FOI FÁCIL!!! O fato de um dos pais serem famosos (no caso o Mion) em momento algum nos fez pensar que pra ele era vantajoso (por um lado era), que seria tranquilo lidar com o fato do Romeo, seu primogênito, ter uma "condição diferente" de outras crianças.
Marcos Mion, Suzana Gullo, Stefano, Romeo e Donatella Foto:Reprodução/Instagram





 Esse caso me fez lembrar uma vez de uma noticia, onde li que o Romeo não quis viajar com a família pela Europa, preferia ir a Orlando, na Florida, pois era a rotina do menino. E sabemos muito bem que nossos anjos azuis tendem a ter rotinas. E os pais tiveram que deixar a decisão por conta do filho. Mas porque? Ele mesmo explicou como consta no site Contigo: ”Uma criança com autismo necessita antes de tudo de ROTINA. Basta mudar uma sequência que o mundo dele pode virar de cabeça para baixo na velocidade de apertar um botão. E aí meu amigo, não tem mais volta. É necessário muita paciência, dedicação e conhecer seu filho como a palma da sua mão para reverter essa queda num túnel de pânico e desespero que eles entram".


Isso mesmo, ROTINA. É isso que João Pedro mais tem! Suas coisas, brinquedos, tudo tem um esquema, uma forma de ser organizado. Falamos que o seu quarto é o seu Castelo, ele comanda do jeito que quer. Seus brinquedos tem uma padrão: tamanhos cores e formatos. Colocados em linha reta, em varias fileiras. Não importa. E acreditem se quiser, ele sabe o lugar de cada um, quem sofre com isso são meus filhos (risos), mas eles aprenderam a respeitar o espaço dele, e entendem como funciona o processo do seu tio.

Mas voltando ao assunto lá de cima. Não vejo as declarações do apresentador como uma romantização do Autismo. Vejo apenas um pai mostrando o dia a dia, o passo a passo do seu filho e como ele tenta se encaixar em uma sociedade que as vezes não tentam nem compreender como funciona seu mundo. E sim, o mundo dos autistas funciona de uma forma totalmente diferente de nós "pessoas normais". Infelizmente muitos pais não irão ter condições de darem um bom tratamento e qualidade de vida, mas pais, entendam: vocês são a base. São a fortaleza dos seus anjos. E tudo feito com paciência e amor tem resultados positivos. 


E parafraseando o próprio Mion, digo: ”Pais e mães autistas, aceitem os limites dos seus filhos especiais! Forçar é quebrar eles por dentro. E não esqueçam nunca dos outros filhos!". 




PENSEM NISSO....